sábado, 1 de março de 2008

Saiba o que é preciso para ser um investidor de sucesso

Muitos portugueses questionam-se sobre o que é necessário para se investir eficazmente na bolsa. O Jornal do Crédito fez um vox pop nas ruas Lisboetas para saber quais as principais dúvidas existentes. Conheça as respostas às perguntas mais frequentes e descubra quais os passos que deve seguir se estiver interessado em ser um investidor de sucesso.

Embora a situação económica em Portugal não seja a melhor, existem inúmeras empresas que têm evoluído bastante nos últimos tempos. O dinamismo registado com os anúncios de OPA´s em empresas de diversos sectores da economia, têm conseguido despertar o interesse de muitos cidadãos portugueses para a bolsa. Embora seja de conhecimento público, que investir na bolsa é um negócio bastante rentável, há que ter em conta que nem todas as pessoas são detentoras de um perfil adequado para o fazer.

Mas existem muitos portugueses que ainda não têm um grande conhecimento sobre o assunto, não sabendo ao certo como é que funciona a compra e venda de acções. Para tentarmos perceber melhor as duvidas existentes no nosso país, o Jornal do Crédito foi até à Baixa Pombalina, na grande Lisboa, saber quais as principais questões que os lisboetas gostavam de obter respostas na área da Bolsa.

Dos 25 entrevistados, escolhemos as sete perguntas mais colocadas.

  1. Investir em acções pode ser um negócio vantajoso?

Investir em acções, é um negócio a longo prazo. Os lucros não são certos e tudo depende da situação económica que o país se encontra. Se a economia estiver num período estável, que permita a criar oportunidades para as empresas crescerem, ou se desenvolverem mais, é um bom negócio. Temos que ter em conta que quando as empresas lucram mais, os seus accionistas também vão ganhar mais, mas se o contrário se verificar, os accionistas também vão perder com isso.

Investir neste mercado exige bastante cautela, há que avaliar todos os riscos, e nunca se pode esquecer que investir na bolsa é uma questão de análise, como poderá verificar mais à frente.

  1. Qual é o processo das operações de compra e venda?

O processo das operações de compra e venda baseia-se normalmente em dois lados. Imagine o investidor x quer comprar acções de uma determinada empresa, já o investidor y quer vender as acções que é detentor dessa mesma companhia. O que acontece nessa altura é que ambos enviam ordens de compra e venda para as suas correctoras. Estão vão transmitir a informação que irá ser comparada consoante todas as ofertas existentes em tempo real. Caso os valores apresentados de ambas as partes sejam iguais, o negócio é fechado automaticamente. Caso não sejam compatíveis é proposto outro negócio que satisfaça ambos. Mas com o número elevado de investidores a comprar e vender acções diariamente os negócios são fechados com bastante rapidez.

  1. Existe um valor mínimo para começar a investir?

Não. O valor que é aplicado varia consoante o preço das acções que o investidor quer adquirir, e altera-se também devido às taxas aplicadas pela sua correctora. Mas normalmente a compra de acções é realizada por lotes de 100 ou 200 acções. Vamos supor que o investidor x queria comprar um lote de 100 acções num custo de 50 euros por acção, no total iria pagar 5000 euros. Também existe a opção do mercado fraccionários onde pode comprar poucas acções, mas é uma questão que sofre inúmeras análises.

  1. Existe um tempo predefinido até que possa vender uma acção?

Não, não existem tempos definidos. O investidor não tem um prazo máximo nem mínimo para poder vender uma acção, pode fazê-lo quando bem entender. Existem accionistas que compram uma acção num dia, e horas depois estão a vendê-la. Em contrapartida existem pessoas que ficam anos, décadas, com as mesmas acções.

  1. É possível negociar-se via Internet?

Sim é possível. Actualmente, em Portugal, 27% das ordens em bolsa são efectuadas pela Internet. Investir pela via da Internet, regra geral, é mais rápido e barato.

  1. Que cuidados deve ter um investidor que entrou no mundo da bolsa há pouco tempo?

Em primeiro ligar, é preciso estar mentalizado que este negócio tem riscos, embora possam existir lucros altos, os valores variam consoante o estado da economia, dos sectores em questão, e até às empresas que está a pensar em vestir. Nunca se deixe desactualizar, um investidor da bolsa deve estar constantemente informado sobre as subidas e as descidas do mercado, para isso existem inúmeros locais que pode recorrer. Neste site existem gráficos que o ajudam a saber como estão algumas empresas do nosso país, com actualizações a todos os minutos

  1. O que é que é preciso ter em conta no momento que vai fazer um investimento?

Deve ter sempre dois pontos em consideração: em primeiro lugar a liquidez da acção escolhida, ou seja, a facilidade de vender acções no momento do resgate do investimento; em segundo as possibilidades de ganho, risco, e as possíveis perdas.

Mas para além dos pontos já esclarecidos, o factor analise é um dos mais importantes. É com os resultados da sua análise que irá perceber se é um bom negociador. Nesta área existem dois tipos de análise que devem ser considerados, a análise técnica e a fundamental.

A análise técnica está ligada essencialmente ao estudo das variações passadas, que normalmente se verifica num curto prazo, de uma acção. Nesta análise estudam-se indicadores, tendências e gráficos com o objectivo de prever o futuro comportamento da acção em questão. Esta é normalmente utilizada por accionistas que negociam diariamente as suas acções, e que não avaliam directamente o desempenho do mercado ou da empresa.

Já a análise fundamental estuda o comportamento económico e financeiro da empresa que pretende comprar uma acção, passando também por analisar o mercado onde a mesma se insere. Este estudo é efectuado a longo prazo, pois são avaliados resultados passados da empresa, a evolução do mercado num determinado tempo, o desempenho da empresa em relação à concorrência e estabilidade económica do país em questão.

Normalmente instala-se uma dúvida em relação à análise que deve optar, mas não tem que fazer uma escolha. Pode optar por fazer as duas, mas tendo em conta que antes de comprar alguma acção, é sempre necessário fazer estudos.

E por mais que estude todos os pormenores a bolsa não dá garantias, não é um acontecimento certo.

Mas geralmente, os analistas recorrem a indicadores sob a forma de quocientes, entre outras grandes informações retiradas da contabilística da empresa em questão. Estes estudos servem para comparações, seja na mesma empresa ou noutras do mesmo sector durante o mesmo período de tempo. Existem quocientes de liquidez, que medem a capacidade que a empresa tem em cumprir os seus compromissos a curto prazo. Os de rentabilidade que analisam a capacidade que a instituição tem em conseguir resultados, os de endividamento, que avaliam a intensidade que a empresa recorre a empréstimos, e por fim os de actividade que demonstram a eficiência na gestão do activo.

Para que compreenda exactamente do que lhe estamos a falar, exemplificamos de seguida alguns cálculos dos quocientes mais utilizados.

- Grau de Liquidez, consiste na soma dos créditos de curto prazo com as disponibilidades, a dividir pelo o passivo a curto prazo.

- Rentabilidade das vendas, baseia-se na soma de Res. Operacionais com as amortizações, dividindo tudo pelo o volume dos negócios.

- Grau de Solvabilidade é a divisão entre a dívida financeira pelos capitais Próprios.

- Tempo Médio de Existências descobre-se efectuando uma divisão entre as Existências com o custo de vendas, multiplicando esse valor por 365.

Mas se as suas dúvidas recaem sobre as fórmulas de cálculo da valorização das acções as contas são mais fáceis. Para saber o valor nominal, apenas deve dividir o capital social pelo seu número total de acções. Já o valor contabilístico da acção calcula-se pela divisão entre o capital próprio e o número total de acções. Por último se deseja saber qual o valor da capitalização bolsista deve multiplicar a cotação pelo o número total de acções.

À primeira vista, este é um negócio demasiadamente complexo, que pode assustar um possível interessado. São necessários muitos estudos para conseguir efectuar bons negócios. Talvez por isso, nos últimos anos o aparecimento de cursos para principiantes na bolsa tenha aumentado consideravelmente.

É bom saber desde o início que existe um serviço criado pela CMVM chamado o SAI. Este foi criado com o objectivo de esclarecer e informar todos os investidores, e também ouvir as suas reclamações e sugestões. Se pretender um programa de formação, também pode recorrer a este serviço, existem seminários, conferências, manuais entre outros, que o poderão ajudar a perceber melhor este meio.

Para colmatar toda esta informação sobre a Bolsa, ficam os cinco conselhos que antes de qualquer decisão deve seguir, relembrando sempre que antes de investir em acções deve ter consciência do grau de risco que um determinado investimento possa ter.

5 Conselhos úteis para um futuro investidor na bolsa


1. Avalie sempre o seu património.

O investidor é sempre uma pessoa consciente, que conhece bem as suas capacidades de investimento e não arrisca para além do limite disponível.

2. Defina qual é o seu perfil de investidor.

Existem diversas perguntas que pode colocar a si próprio para descobrir qual é o seu perfil de investidor. Gosta do risco? Procura ganhos imediatos? Está disponível para uma rentabilização a longo prazo? Com todos os produtos existentes, deve conhecer bem o seu perfil, para perceber qual é o que melhor se adapta a si.

3. Estabeleça objectivos.

Para ser um bom investir deve ser uma pessoa controlado, que sabe quando deve parar de investir, existem limites, e nós devemos saber impô-los a nós próprios.

4. Conheça bem o mercado.

É fundamental estar sempre atento a todas as questões que envolvem o mercado financeiro, e aos poucos ir conhecendo os historiais das empresas cotadas na bolsa. Leia sempre as notícias do mercado empresarial, acompanhe os movimentos, resultados e nomeações.


5. Diversifique.

Não deve concentrar todos os seus investimentos numa só empresa. Para reduzir os riscos e potenciar os ganhos, nada melhor do que “apostar” em diversas empresas de inúmeros sectores.

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